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terça-feira, 24 de novembro de 2015

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Começa a chover sobre a cidade. As pessoas que passam na rua se apressam para chegar ao trabalho. A chuva fina aliada ao vento, deixa a cidade fria e cinzenta.
 Frases como "Wideahan Jidoja foi visto andando sem escolta ontem" e "Nomeado o novo Segundo Sacerdote de Shirai-Gwon" estão entre as manchetes do dia.


 - Morto? Como isso aconteceu?
 - Não sabemos, Jidoja. A casa está lavada com sangue e cheia de pedaços de carne por todos os lados. A família toda sumiu. Colocamos nossos investigadores no caso.
 - Vamos lá, eu quero ver.

Do outro lado da cidade, a multidão se aglomerava na frente da velha casa. Ao perceber a aproximação do Comissário e o Líder, os soldados abrem o caminho. Gritando e com espadas em punho, começam a dispersar a multidão de curiosos.
 - Saiam do caminho! Andem! Não há nada pra ver aqui!

Sadrhack pula do cavalo antes mesmo de parar, joga os arreios em um dos soldados e vai em direção à porta, tamanha sua curiosidade.

 Os dois entram na casa, e parecem ter entrado em um açougue. O cheiro de carne fresca rasgada em mil pedaços é nauseante. Órgãos espalhados pelos móveis, aleatoriamente.

Quem quer que tenha feito isso, se divertiu bastante.

 - Magno, seja franco... - Sadrhack dizia, cobrindo o nariz e a boca com um lenço de seda - Há alguma possibilidade de ter sido um de nossos homens?
 - Não Jidoja, ao menos, não a serviço do governo. Nunca dei essa ordem... E mesmo que fosse, nenhum de nossos homens faria algo assim!

O Comissário suava muito. Chegava até a tremer um pouco. Há muito não via uma cena como essa.
Da última vez, ele era um dos assassinos.

O Líder andava pelo local, curioso. Cutucava tudo com uma caneta, cheirava, limpava com o lenço e passava para a próxima coisa. Depois que o choque inicial passou, nada o surpreendia mais.

 - Notou que as roupas e alguns pertences sumiram? - O Líder abriu um guarda-roupas, ainda usando a caneta.
 - Sim, Jidoja, cremos que o assassino quis obter um espólio de seu feito.
 - Um troféu? Por matar um homem velho e sua família?
 - É complicado.
 - Bem, já vi o que vim ver, vou voltar ao meu gabinete.

Nem mesmo a chuva conseguiu dispersar a multidão emocionada. O comércio parou. As escolas dispensaram seus alunos. Os homens saíram do trabalho para cuidar de suas famílias.

As pessoas na rua observam de longe a casa cercada pela Armada da Repvblica, que eram uma divisão especial da Gvarda que tratava de assuntos de segurança nacional e crimes de maior impacto à Nação.
 Sadrhack sai e olha em volta. O que ele vê, é uma nação inteira gritando, seja por ele ou contra ele. Os gritos se misturavam. A única coisa audível era uma grande interrogação.

Por quê?

Ao chegar em seu gabinete, Ja-Han lhe traz uma pilha de folhetins publicados em ordem extraordinária.

"Morre o Mais Velho Editor de Pyeong-Moon" - O Atval
'...A sede do Bo-gi foi encontrada coberta de sangue, nenhum membro da família sobreviveu ao massacre... A casa foi revirada, os equipamentos destruídos e alguns pertences foram levados, diz um dos Gvardas...'

"Editor Assassinado ao Desafiar o Líder" - PM Agora
'...os vizinhos afirmam que ontem, por volta de onze da manhã, ouviram muito barulho na casa, que estava cercada pela Gvarda. Acredita-se que o crime tenha motivação política... O Líder ainda não se pronunciou... Nós, do PM Agora não acreditamos no envolvimento do Jidoja...'

"Divina Ciência Derrama Sua Fúria" - Kahore Diário
'...O velho Bo-gi há muito não dispunha de uma mente sã... desafiou o Supremo Wideahan Jidoja, mas sua ousadia teve um alto preço... a Divina Ciência o castigou ontem a noite... O profano foi destruído junto com sua família...'

 Leu as reportagens por alto, como sempre fazia, e jogou tudo pra cima. Rabiscou uma nota: "Eu, Sadrhack, representante máximo da Repvplica Guǎn tā Kahore, prezo pela segurança e bem estar de nossos cidadãos. Nossa Gvarda está empenhada em solucionar o horrível crime ocorrido hoje. Eu considero isso um ataque a um amigo de longa data e um inadmissível atentado contra a liberdade de imprensa! Hoje a Nação está de luto."

 - Ja-Han!
 Toc... toc... toc.. toc...
 - Sim, Jidoja.
 - Divulgue essa nota à imprensa.
 - Será feito, Jidoja. Ah, o orçamento do Templo já chegou para ser aprovado.
 - Não tenho tempo pra isso agora. Envie direto ao departamento contábil que eu passo lá depois.
 - Tudo bem.

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