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sábado, 28 de novembro de 2015

Sang-eo.

 Sangue! Liberdade! Viva a revolução!
 Enfiei a espada no pescoço do velho, com o fio virado para cima. A lâmina recém afiada desliza deliciosamente... A carne abraça o aço e o sangue o acaricia gentilmente. Ergui a ponta e enfiei até onde deu.
Rasgo várias artérias. Rajadas quentes espirram no meu rosto. E no rosto dele, o companheiro de batalha. O Líder! Meu amigo, que ganhou esse apelido por ser, de fato, o a mente que arquitetou toda a revolta contra o império.

 Eu só cumpria o que ele me pedia. Mas eu gostava... Ah, como eu gostava! Matamos famílias inteiras naquela noite. E em silêncio, sem que se dessem conta do que acontecia. Casa a casa, matando todos e apagando as luzes. Esse era o sinal combinado.

 Espreito uma moça. Ela está em sua penteadeira, escovando seus longos cabelos. Ela está de branco, vestida para dormir. Tão jovem... Não viveu nada. Não sabe nada. Seus pais e irmãos já estão mortos.

 Chego por trás. Ela vê um vulto no espelho. Sente um puxão no cabelo, e é forçada a olhar para o teto. Por uma fração de segundo, sinto seu perfume. Doce. Sinto um cheiro delicioso, como se fosse feita de mel.

 Meio segundo depois, seu pescoço está aberto. O suficiente para caber uma mão inteira nele.

O mel dá lugar ao sangue, que agora escorre do espelho para a penteadeira.

Eu só estou cumprindo ordens.


 Magno acorda suando frio. Mais assustado do que de costume. O sol ainda não nasceu, mas resolve se levantar.
 Dormira no quartel da Gvarda, no campo atrás do Forvm.
"É melhor eu me vestir, o dia vai ser longo".

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 O sol entrava preguiçosamente pelas janelas. Sadrhack penteou cuidadosamente o cabelo. Vestiu a camisa, calça, colete, gravata e o terno. Colocou cada medalha e broche no lugar.
Pegou sua espada embainhada e seu arcabuz, sempre carregado.

 Alguém bateu na porta. O Líder abriu.

 - Bom dia, Ram-De, querido. - Uma senhora de olhos bondosos segurava uma bandeja com café e cereais.
 - Bom dia, So-Jung!  - Beijou a testa dela, pegou a bandeja e levou até uma mesa.
 - Por quê já se trocou? Esqueceu que é sábado? - Riu a senhora, de pé na porta.

 Sadrhack levantou a colher sorrindo:
 - A nação precisa de mim, Sosso!
 - Claro que sim!

 So-Jung é o mais próximo que o Líder tem de uma mãe. Ela era a dona da pousada onde os rebeldes se reuniam. Também era a enfermeira do grupo, quando alguém voltava dos protestos machucado ou com uma orelha a menos.

 Naquela época, a população estava insatisfeita com os impostos, que chegavam a trinta por cento sobre todas as atividades econômicas. E ficava ainda mais insatisfeita a cada escândalo da Casa Imperial que vinha a público, como as festas promíscuas que aconteciam regadas a bebidas caríssimas, com participação dos filhos do Imperador, aristocratas e burgueses. As prostitutas corriam nuas pelos corredores e o Imperador Chunk-Bre dizia não saber de nada. Não participava, mas não impedia.

 Enquanto os Sang-eo¹ se esbaldavam na farra, os rebeldes estavam em cada botequim, em cada esquina, em cada roda de amigos, difundindo idéias sutilmente. Era um trabalho orgânico, sem pressa alguma. Até atingir o corpo docente, o que ampliou a difusão do discurso anti-império.
 Um trabalho de formiga que durou anos. Não tínhamos um nome, uma identidade ou partido.

 Esse movimento foi duramente atacado pela imprensa nos primeiros anos, até um dos nossos começar a trabalhar como auxiliar no folhetim "Pyeong-Moon Agora", onde aos poucos, lançou um olhar mais profundo aos movimentos populares da época.

1. Sang-eo: Classe abastada, alta sociedade.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

?

Começa a chover sobre a cidade. As pessoas que passam na rua se apressam para chegar ao trabalho. A chuva fina aliada ao vento, deixa a cidade fria e cinzenta.
 Frases como "Wideahan Jidoja foi visto andando sem escolta ontem" e "Nomeado o novo Segundo Sacerdote de Shirai-Gwon" estão entre as manchetes do dia.


 - Morto? Como isso aconteceu?
 - Não sabemos, Jidoja. A casa está lavada com sangue e cheia de pedaços de carne por todos os lados. A família toda sumiu. Colocamos nossos investigadores no caso.
 - Vamos lá, eu quero ver.

Do outro lado da cidade, a multidão se aglomerava na frente da velha casa. Ao perceber a aproximação do Comissário e o Líder, os soldados abrem o caminho. Gritando e com espadas em punho, começam a dispersar a multidão de curiosos.
 - Saiam do caminho! Andem! Não há nada pra ver aqui!

Sadrhack pula do cavalo antes mesmo de parar, joga os arreios em um dos soldados e vai em direção à porta, tamanha sua curiosidade.

 Os dois entram na casa, e parecem ter entrado em um açougue. O cheiro de carne fresca rasgada em mil pedaços é nauseante. Órgãos espalhados pelos móveis, aleatoriamente.

Quem quer que tenha feito isso, se divertiu bastante.

 - Magno, seja franco... - Sadrhack dizia, cobrindo o nariz e a boca com um lenço de seda - Há alguma possibilidade de ter sido um de nossos homens?
 - Não Jidoja, ao menos, não a serviço do governo. Nunca dei essa ordem... E mesmo que fosse, nenhum de nossos homens faria algo assim!

O Comissário suava muito. Chegava até a tremer um pouco. Há muito não via uma cena como essa.
Da última vez, ele era um dos assassinos.

O Líder andava pelo local, curioso. Cutucava tudo com uma caneta, cheirava, limpava com o lenço e passava para a próxima coisa. Depois que o choque inicial passou, nada o surpreendia mais.

 - Notou que as roupas e alguns pertences sumiram? - O Líder abriu um guarda-roupas, ainda usando a caneta.
 - Sim, Jidoja, cremos que o assassino quis obter um espólio de seu feito.
 - Um troféu? Por matar um homem velho e sua família?
 - É complicado.
 - Bem, já vi o que vim ver, vou voltar ao meu gabinete.

Nem mesmo a chuva conseguiu dispersar a multidão emocionada. O comércio parou. As escolas dispensaram seus alunos. Os homens saíram do trabalho para cuidar de suas famílias.

As pessoas na rua observam de longe a casa cercada pela Armada da Repvblica, que eram uma divisão especial da Gvarda que tratava de assuntos de segurança nacional e crimes de maior impacto à Nação.
 Sadrhack sai e olha em volta. O que ele vê, é uma nação inteira gritando, seja por ele ou contra ele. Os gritos se misturavam. A única coisa audível era uma grande interrogação.

Por quê?

Ao chegar em seu gabinete, Ja-Han lhe traz uma pilha de folhetins publicados em ordem extraordinária.

"Morre o Mais Velho Editor de Pyeong-Moon" - O Atval
'...A sede do Bo-gi foi encontrada coberta de sangue, nenhum membro da família sobreviveu ao massacre... A casa foi revirada, os equipamentos destruídos e alguns pertences foram levados, diz um dos Gvardas...'

"Editor Assassinado ao Desafiar o Líder" - PM Agora
'...os vizinhos afirmam que ontem, por volta de onze da manhã, ouviram muito barulho na casa, que estava cercada pela Gvarda. Acredita-se que o crime tenha motivação política... O Líder ainda não se pronunciou... Nós, do PM Agora não acreditamos no envolvimento do Jidoja...'

"Divina Ciência Derrama Sua Fúria" - Kahore Diário
'...O velho Bo-gi há muito não dispunha de uma mente sã... desafiou o Supremo Wideahan Jidoja, mas sua ousadia teve um alto preço... a Divina Ciência o castigou ontem a noite... O profano foi destruído junto com sua família...'

 Leu as reportagens por alto, como sempre fazia, e jogou tudo pra cima. Rabiscou uma nota: "Eu, Sadrhack, representante máximo da Repvplica Guǎn tā Kahore, prezo pela segurança e bem estar de nossos cidadãos. Nossa Gvarda está empenhada em solucionar o horrível crime ocorrido hoje. Eu considero isso um ataque a um amigo de longa data e um inadmissível atentado contra a liberdade de imprensa! Hoje a Nação está de luto."

 - Ja-Han!
 Toc... toc... toc.. toc...
 - Sim, Jidoja.
 - Divulgue essa nota à imprensa.
 - Será feito, Jidoja. Ah, o orçamento do Templo já chegou para ser aprovado.
 - Não tenho tempo pra isso agora. Envie direto ao departamento contábil que eu passo lá depois.
 - Tudo bem.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Amanhecer Sangrento.

 - Obrigado pelo almoço, Jidoja. - apertaram as mãos - E não se esqueça da azeitona!
Sadrhack abriu um grande sorriso.
 - Vou me lembrar, Magno!

O Líder terminou seu café, repousando a xícara sobre a mesa. Ouviu tamancos se aproximando.
Uma mulher magra e baixa, segurando um caderno e uma caneta entra na sala. Possui uma longa trança amarrada com uma fita vermelha na ponta.

- Ja-Han, envie um mensageiro ao Supremo Sacerdote do Templo de Pyong-Moon. Quero que ele escolha seu mais eloquente professor. E o mais leal a mim, isso é importante.

A moça apertou seus grandes olhos e tomou nota.

- Sim, Jidoja.
Levantou e virou-se rapidamente, de modo que sua trança dançou no ar na altura de seus olhos. Fez uma reverência e saiu.

Algumas horas depois, o escolhido está em sua sala. Um homem grisalho e gordo. Bem vestido e com um sorriso amigável.

 - Boa tarde, senhor...?
 - Amadevs, senhor Widaehan Jidoja. É uma honra conhecê-lo.
 - Amadevs. Sinceramente, eu esperava alguém mais jovem. - O líder pôs a mão sob o queixo, com uma expressão analítica.
O homem baixou os olhos. Nesse momento, sua carreira acadêmica lhe parece insignificante.
 - Dediquei os melhores anos de minha vida aos jovens dessa nação, Jidoja. Acompanhei  o surgimento da Grande Nação que ofuscou nos livros toda a história passada. Eis-me aqui.
 - Excelente. Você será o Segundo Sacerdote do Templo Myuung, lá em Shirai-Gwon.

O homem baixou a cabeça. Não parecia estar contente com aquilo, mas ninguém em sã consciência recusa uma ordem dessas.

 - Sim Jidoja.
 - Sua viagem será providenciada para amanhã. Você será meus olhos lá, pois todos estão em suas funções há muito tempo. Desde... Antes.
 - Entendo.

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Bem, eu poderia contar aqui o que acontecia no Templo Myuung, em Shirai-Gwon. Mas Widaehan Jidoja não julgou importante.
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O amanhecer nublado em Pyeong-Moon indica chuva nas próximas horas. Toda a cidade parece úmida. Os esgotos fumegam e o orvalho deixa as pedras da rua escorregadias.
Soldados corriam em fila, no seu exercício matinal, entoando canções de batalha. As crianças também corriam, para não se atrasarem para a escola. A escola pública gratuita era considerada um dos maiores avanços da Repvblica.

Ja-Han saiu cedo de casa. Foi andando o mais rápido que podia com seus tamancos altos. Seus passos eram limitados pelo vestido. Comprou alguns folhetins de garotos na rua e foi correndo para o Palácio do Governo. Sempre tentava chegar antes do Líder, para recebê-lo com um sorriso de bom dia.

Ao chegar em sua mesa, Magno estava de pé, andando de um lado para o outro. Parecia estar lá há horas. Os olhos avermelhados indicavam que quase não dormira.

 - Bom dia Comissário. O que houve?
 - Assuntos oficiais. Preciso conversar com...
 - Bom dia, Magno. Caiu da cama? - Sadrhack estava diante dele. Entregou seu casaco a Ja-Han e foi em direção a seu gabinete.
 O comissário o seguiu. Fez uma reverência ao entrar no gabinete.
 - Jidoja, o velho Bo-gi, está morto!
 - O QUE? - O Líder quase caiu da cadeira.

Ja-Han lhe traz seu café, e os folhetins do dia. Naturalmente, o Bo-gi não era um deles.

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Um som de algo caindo nas folhas secas o deixa alerta. Ele se ergue na cela e olha em volta. Ouve o rosnar de um cão selvagem ou um lobo vindo da esquerda. Andam um pouco. A frente, avistam um cão que atacava uma mancha em uma parede de pedra furiosamente. Sangrava pelo focinho e parecia ter quebrado todos os dentes tentando abocanhar a parede.

 - Está louco? - Indagou Sierra.
 - Está – Conclui König, que puxou da aljava o fim do sofrimento do pobre animal. Desceu do cavalo para recuperar a flecha, quando notou algo estranho. O cão morto tinha uma estranha mancha prateada que saía da orelha, que parecia cortada.
 Voltou ao cavalo e seguiram.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O Arco da Azeitona.

 - Já almoçou, Magno? - Indagou Sadrhack sorrindo, como se nada tivesse acontecido.

O Comissário levou um susto com a pergunta. Ainda estava pálido.

 - Ainda não, Widaehan Jidoja.
 - Almoce comigo hoje. Quero mais detalhes quanto a essa minha "escolta invisível". - levantou uma sobrancelha.
 - Como quiser, Widaehan Jidoja. - disse o chefe da segurança, sem saber se deveria falar sobre o ocorrido ou ignorar os acontecimentos surreais da última hora.

 - Ah, quanto aquele velho - mencionou Sadrhack - ele é um velho conhecido, por isso não o matei. .. - divagou olhando o horizonte empoeirado da capital - Ainda.
 - Entendo.

Durante o almoço, o Líder pergunta:
 - Como posso confiar em uma escolta formada por apenas um soldado? E uma mulher? Você tem três minutos para me convencer, Magno.
 - Não preciso de tanto, Widaehan Jidoja. - Disse confiante. Pegou uma azeitona na mesa com a mão direita, e com a esquerda ergueu dois dedos em direção ao teto. Depois um dedo, e então, jogou a azeitona para o alto.

O fruto verde de oliveira descreve um arco, atinge o alto da parábola, quando uma flecha quebra a janela como um raio e a destrói violentamente em pleno ar. A flecha se fixa na parede, no fundo da sala de jantar.

Como num reflexo, em milissegundos o político saltou para longe, fazendo com que sua cadeira fosse jogada para trás pelo movimento.
- QUE PORR... De onde veio isso? - Berrou o Líder, assustado. - Olhava ao redor procurando a fonte do objeto que se projetou para dentro do recinto.

- Do mais alto estágio de treinamento militar desenvolvido no Templo Moonstep.
O Comissário estufou o peito, orgulhoso.
- Interessante... Ela teria ajudado muito na época do Império.
- Talvez, ela teria matado o imperador em minutos! Antes que ele fugisse para o exílio.
- Sim! Teria sido uma revolução realmente feita em um dia!
- Bem... Foi assim que ela ficou conhecida, de qualquer jeito... - Sorriu o Comissário.
- É, Magno, é isso que ensinamos às crianças. Mas, como você se lembra, protestamos e entramos em conflito com os Guardas Reais por muitos anos antes daquela noite.
- Bons tempos, Jidoja, bons tempos...

Uma garota entra na sala olhando para baixo, segurando uma bandeja com café. Serve os dois e limpa os vestígios do que um dia já foi uma azeitona espalhados na mesa. Faz uma reverência graciosa ao líder, segurando a ponta do vestido com uma das mãos, e se afasta.

- Lola! - ao ouvir isso, a garota congela onde está - chame Ja-Han aqui.
A criada faz um sinal tímido com a cabeça e sai.

Magno a acompanha com os olhos, enquanto o Líder adoça seu café.
 - Lola é um nome diferente - diz o Comissário.
 - Não é o nome dela de verdade. Existem muitas criadas aqui, não me lembro do nome de todas. Chamo todas de Lola, porque é fácil de lembrar.
 - É compreensível, Jidoja.

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O velho Bo-gi passou horas imóvel. Até que seu cão veio até ele, ainda mancando, como quem diz "hey, não vai fazer nada?". Lambeu sua mão e deitou-se.

"Preciso publicar uma retratação" - pensou ele. Em seguida, enrusbeceu.
"Mas que diabo! De jeito nenhum! Vou é ficar no meu canto, por enquanto..."
 Sentia grande vontade de confrontar o Líder como fazia com o Imperador, mas a vida agora era diferente. Sua família aumentara nos últimos anos e, considerando os métodos empregados por Sadrhack na revolução, seria fácil para ele fazer desaparecer algum neto dele.

O povo vê o Wideahan Jidoja Sadrhack como um grande general, que liderou uma operação que matou em uma noite toda a Família Real, seus maiores entusiastas e a burguesia que financiava o Império de Chunk-Bre Kahore. Por isso, o povo acreditava que a Divina Ciência estava do lado dele. E que qualquer um que se opusesse ao Líder seria morto pelo Poder Celeste.

 O que o velho Bo-gi sabia e a maior parte da população não sabe, é que essa operação durou anos, antes de culminar nessa noite.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Poder?

 No tempo em que as moedas tinham o rosto do Imperador Chunk-Bre, a imprensa local era uma forte opositora. Criticava desde os gastos da Casa Imperial até o número de cães de raça deitados nos jardins.
 Havia vários folhetins matinais que circulavam pela cidade, e podiam ser comprados por poucos tostões. Dentre eles, o mais popular era o Bo-gi, que levava o nome do editor. Este se popularizou por publicar contos com capítulos diários e fofocas do palácio que, se fossem julgadas interessantes pelo editor, eram publicadas ao acaso durante o dia.

 Mesmo diante de publicações tendenciosas, com intenção clara de pôr o Imperador em maus lençóis, o mesmo era um defensor ferrenho da liberdade de imprensa. Considerava sagrado o direito de livre expressão.

Bem, isso em público. Usou várias vezes seu poder para prejudicar a família Bo-gi, chegando até a tirar deles sua casa e os instrumentos de trabalho, por causa de uma dívida com a Casa Monetária Imperial.

Mas o velho Cho Bo-gi era imbatível. E é até hoje.
 Em seus olhos cansados brilha uma chama incessante, um vigor adolescente, emoldurado por grandes olheiras de trinta anos acordando antes do sol nascer.

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 - O que há de errado, Magno? - Perguntou ao Comissário da Guarda.
 - Jidoja, é o Bo-gi. De algum modo, já sabem sobre o sacerdote assassinado. Nem eu sabia, soube quando li!
 - E qual é o problema? Um sacerdote do interior a mais ou a menos, qual é a diferença?
 - O problema é que questionam a relação do Widaehan Jidoja com o Templo, e o quanto o senhor se importa mesmo com os seus designados! Leia por si mesmo...

O homem de farda cinza entregou o folhetim.

Nem Mesmo Flores!
O Grande Líder designou há oito anos Sho-Hakou como o Honorável Segundo Sacerdote do Templo Myuung da Aldeia de Shirai-Gwon. Este grande homem serviu ao Líder até seus últimos dias, desenvolvendo muito a Ciência Boticária da nossa grande Nação. Mesmo assim, nem flores, nem uma mísera nota de pesar foi enviada pelo governo ao seu funeral.
Terá o nosso Grande Líder perdido seu tato? Sua fé? Seu amor pela Ciência?

 Sadrhack ficou em silêncio.
 - Aquele velho deve estar caducando. Ele precisa de um corretivo! Meus homens estão na casa dele, mas resolvi falar com o senhor antes de prendê-lo, Jidoja.
 - Fez muito bem, Magno. Eu vou com você. Quero falar com ele.
 - Como quiser, Widaehan Jidoja.

O líder caminhou até a porta do gabinete e dirigiu-se a secretária.
 - Prepare meu cavalo, vou atravessar a cidade.
 - Não prefere uma carruagem, Jidoja?
 - Não, preciso de ar puro.
 - Seu desejo é uma ordem - Disse ela voltando-se para um pequeno tubo na parede - Ohon, você está aí?
 - Sim, Ja-Han - disse uma voz áspera, quase fanha, dentro do tubo - pode falar.
 - Prepare um andaluz. O Widaehan Jidoja aguarda à porta.
 - Entendido - respondeu a voz no tubo.

E desceram pelos fundos, onde os cavalos já aguardavam.
 - Onde está minha escolta? - Indagou o líder.
 - Ela não é mais necessária, senhor - respondeu o Comissário.
 - O que quer dizer?
 - Bem, essa semana foi concluído o treinamento dos primeiros soldados de elite, no Templo Moon. E destacamos um deles para proteger o senhor.
 - Só UM?  - respondeu incrédulo.
 - É mais do que o suficiente.
 - Interessante. Quero vê-lo em ação.
 - Espero que nunca seja necessário, Jidoja. Mas ele já está em ação agora mesmo. 
Ao dizer isso, o Magno usa sua espada para refletir a luz do sol duas vezes na direção de uma árvore frondosa a frente. E de lá, alguém faz o mesmo.
 - Espero que ele seja eficiente. Não quero ter problemas.
 - Ele não. Ela.

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Chegando a casa da família Bo-gi, o líder avista cinco soldados guardando a porta.
Quando entra pelo portão, o cachorro da família, avança sobre ele como um tigre faminto. Salta a meio homem de altura e, em pleno ar, recebe um chute ruidoso nas costelas. 
 - Não desta vez - diz o líder, sorrindo.

Entra na casa e ouve a voz rouca do velho editor:
 - Precisava mesmo de tudo isso, Sad? - disse o homem sentado, levantando uma sobrancelha.
 - Não, não precisava. Eu sei que você não fugiria, meus homens é que não te conhecem como eu conheço.
 - Então tire-os da minha casa! - berrou o velho Bo-gi.
 - Fale baixo, com quem pensa que está falando? - interrompeu Magno.
 - Bem, não tenho o dia todo. O que você quer, me confrontando assim? Quer uma nova revolta? Quer me tirar do poder? Quer o império de volta? 
 Sadrhack andava de um lado para o outro. O assoalho ditava o ritmo de sua impaciência.
 - Hahaha... Há vinte anos que o Jidoja sempre vence as eleições. Tentar algo contra o senhor seria um ataque a nossa democracia! 
 - Então o que você quer? Que o povo deixe de gostar de mim?
 - Fique tranquilo, Sad. Isso não vai acontecer. Há quem diga que o senhor é abençoado pela Divina Ciência! Um intocável! Só quis dar minha opinião sobre as ações do governo.
 - Pois volte a escrever fofocas, ou fecho esse lugar para sempre! E é melhor começar a falar bem de mim se quiser continuar a publicar seu folhetim!

O Comissário olhou em volta. O Grande Líder não se comportava assim normalmente. Não em público. 

 - Não pode me matar - replicou o velho - posso ser idoso, mas ainda tenho poder e influência para acabar com você perante o público! - cuspiu essas palavras, empalidecendo.
 - HAHAHAHAHAHAHAHA!! - riu histericamente - INFLUÊNCIA? PODER?? E você lá sabe o que é isso? Seu pasquinzinho ordinário pode fazer o quê contra mim? Vim até aqui porque te conheço a muito tempo, e queria ouvir suas desculpas olhando nos seus olhos de cachorro velho.
 Sacou sua espada e com a ponta da lâmina ergueu o queixo do velho que olhava para o chão. Se aproximou, abaixou-se e disse lentamente ao lado de seu ouvido:

 - Poder de verdade é quanta gente você tem que mate ou morra por você. O resto é ilusão, seu velho idiota.

 Virou-se nos calcanhares e saiu sem dizer mais nada.

 - Liberte esse velho caduco, ele não vai me desafiar de novo - disse ao Comissário, que viu tudo de olhos arregalados. O Líder suava, respirando fundo para se acalmar.

 Enquanto os homens saíam da casa, o velho Bo-gi ainda estava sem fôlego. Não é todo dia em que o Líder da Nação resolve ir até a sua casa gritar com você.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Il Barbiere.

Embainha sua espada e caminha de um lado pro outro.
"Como isso pode me prejudicar?  Como posso usar isso ao meu favor?" - pondera o líder.
Subitamente ele para, depois caminha pra porta. Passa por sua secretária na mesa de frente pro seu gabinete, dizendo:
 - Bom dia, Ja-Han. Já volto.
 - Bom dia, Widaehan Jidoja, sua correspondência chegou. Vou pôr na sua mesa.
 - Obrigado.

Irrompeu pelo saguão do Palácio da Liderança, apressando-se para não ser parado por ninguém. O que foi evitado pelos agentes de segurança. O líder é uma figura  muito popular, e todos querem falar com ele. E não é todo dia que ele resolve sair assim, pela porta da frente.

Deu meia volta no quarteirão e entrou numa pequena porta.


O tintilar da sineta no beiral da porta anuncia a entrada de um cliente.

O velho barbeiro abre um grande sorriso com seus dentes amarelos por entre o bigode em forma de tenda.

 - Grande Líder, Luz do Oriente! O Homem Verdadeiro que Nos  Guia Para a Vitória! Que alegria tê-lo de volta a minha humilde barbiere!
 - Bom dia Siviglia. Você tem mesmo que dizer isso toda vez que eu venho aqui?
 - Me desculpe, Widaehan Jidoja, não posso conter minha alegria!
 - Entendo. - Disse o líder, sorrindo. - Preciso aparar minha barba.
 - Será um piacere.

O líder se acomoda na cadeira e o homem começa o seu trabalho.

 - E como está nossa Grande Nação?
 - Bem, salvo pequenos contratempos. Um Segundo Sacerdote de uma aldeia no interior foi morto ontem.
 - Oh... - Franziu a testa o barbeiro - De onde?
 - Shirai-Gwon.
 - Ouvi rumores de que se desenvolve muita ciência lá...
 - Crendices e cultos não me interessam, Siviglia... O que me preocupa é a política. O homem não era ninguém importante, mas era o segundo em comando no Templo Myuung, e agora vou ter que nomear alguém em seu lugar.

--//--

Capitão Rizzo começa a carregar sua pistola de dois tiros, que seriam o suficiente para derrubar um Insano, não para matar. Ele sabia disso. Sabia que não podia encarar os três a frente, ou quantos mais que houvesse. Por isso enviara Cathos em reconhecimento, por ser furtivo e ágil.

A cavalo e com as orelhas de pé, seguiram a diante e viraram na primeira lane a esquerda. Depois a direita, para contornar os inimigos. Eram como ruas de pedra, mas feito com um tipo de goma negra endurecida. O cavalo de Sierra puxava o de Cathos, que ia frente hora pelas árvores, hora por cima de construções antigas e escombros. Até que parou e assobiou para o grupo. Todos pararam.

--//--

O barbeiro se inclinou para a bancada e trocou sua lâmina por uma mais afiada.

 - Bem, Widaehan Jidoja, desde que deixei o Palácio do Governo e me afastei da articulação política, não estou a par de quem poderia ser indicado ao cargo...
 - Você faz falta lá, Siviglia. Seus conselhos me ajudaram muito todos esses anos - diz ele ao se lembrar do tempo em que lutavam contra o Império Esquecido.
 - GrazieWidaehan Jidoja... Mas sou um homem velho, tenho que saber a hora de parar. E as ameaças de morte estavam ficando frequentes...
 - Tudo bem, ragazzo, não vim te trazer de volta. Vim pedir um conselho de como agir.
 - Bem, podemos aproveitar a oportunidade para fortalecer nossa relação com o povo do interior e mostrar a grandeza e generosidade de nosso Grande Líder!
 - Prossiga.
 - Nomeie sacerdote alguém ilustre, de quem o povo gosta muito, como um músico ou outro qualquer.
 - Um vagabundo?
 - Sim! Mas é importante que seja alguém que fale bem de você sempre que tiver a oportunidade de abrir a boca.
 - Prefiro indicar alguém que não vá causar problemas.
Siviglia se ilumina, como se tivesse inventado a roda.
 - Um professor! Selecione um professor do Templo local!
 - Sim! Vou providenciar!

--//--

De cima de uma árvore, podia ver uma grande construção a algumas léguas, perto do mar. Tinha a forma de dois grandes jarros de proporções gigantescas, circundada por prédios destruídos. Saltou de onde estava, agarrou um galho da próxima árvore, girou e caiu de pé.

 - Estamos perto das minas de chumbo, posso vê-las daqui.
 - O sabor de metal está ficando mais forte, esse local é amaldiçoado como dizem. – Diz König. – A gente não devia estar aqui, meu...
 - Dizem que são os demônios cortando nossas almas com espadas espirituais... Madre de Dios!
 Sierra, se encolhe de olhos arregalados, assustado com o que ele mesmo disse.
 - Os únicos demônios que você vai ver hoje são os Insanos, fique tranquilo. – Riu Cathos.
 - Acho que prefiro os espirituais!
 - Silêncio! Ouvi algo.- Diz o capitão erguendo a mão direita.

--//--

Passados alguns minutos, o barbeiro termina seu trabalho.
 - Prontinho, Widaehan Jidoja!
 - Quanto?
 - Não quer que eu mande a conta para a Acessoria do Líder?
 - Não.
 - 58 mil Kim.
 - Certo. Pegue Sessenta. Fique com o troco.
 - Obrigado, Widaehan Jidoja!

O Líder faz questão de pagar pelos serviços e saber o preço das coisas. Para ele, isso o aproxima do cotidiano de seu povo.
No meio do caminho, avista dois mendigos. Pega uma moeda de mil Kim e joga entre eles.
Os observa de canto de olho enquanto os homens se entreolham e partem desesperados pelo metal, e antes mesmo que a moeda pare de girar, começam a brigar por ela.
"Pobres escravos da ganância". Pensa consigo. "Podiam pensar num modo de usar o dinheiro juntos". Continuou a observar com certo deleite a cena que se desenrolava.

Os homens se estapeavam desajeitados, enfraquecidos pela fome.Até que um caiu ao chão, xingando raivosamente. O outro saiu andando feliz em direção ao armazém no fim da rua.

De volta ao palácio, Ja-Han lhe informa que alguém o aguarda.
Ao entrar em seu gabinete, um homem baixo, de cabelo oleoso e feição cansada o espera de pé, imóvel. Sua farda puída denuncia os anos de serviços prestados.

 - Bom dia, Magno.
 - Bom dia, Widaehan Jidoja. Precisamos conversar.

Governando Guǎn tā Kahore

Correu pela floresta, sem olhar pra trás, como se fugisse de um demônio. Por entre a copa das árvores mais altas, passava um pouco de luz do sol. A vegetação cobria ruinas do que um dia foi um vilarejo, ou uma cidade, não há como saber. Entre os restos de uma civilização remota, vivem plantas venenosas, animais selvagens e artrópodes predadores. Seus pés batiam contra o chão repleto de folhas com uma velocidade enorme. Ás vezes saltava para um galho de árvore, depois para a seguinte, voando alto e finalmente alcançando o solo para correr outra vez.

--//--

O gabinete é requintado e agradável. Afinal, o governante passa nele a maior parte dos seus dias. Tem um certo ar enebriante. Dando uma sensação quase que bucólica.
A propósito, tem até uma cama num cômodo atrás. Muitas decisões importantes lhe ocorreram ali.

O sol matinal entra preguiçosamente pelas grandes janelas entre as cortinas de cetim verde, com cordões dourados.
Gostava de pensar que era um homem de gostos simples, embora isso estivesse muito longe de ser verdade.

Passara a tarde toda do dia anterior no Congresso, onde decidiram por manter a restrição aos animais de estimação nos centros urbanos do país. "Vivemos em tempos difíceis. Isso não cabe em nossas prioridades." - Era o que se ouvia pelos corredores do Congresso. Não que fosse proibido ter um cão ou gato, porém, é necessário obter uma licença para isso proveniente de um elaborado trabalho jurídico. E também pagar uma taxa.

Três funcionários batem a porta do gabinete. Vieram substituir o cravo por um piano.

Sadrhack se serve de um vinho encorpado, confiscado em uma missão ao exterior. Uma das Agências enviou especialmente a ele dizendo ser um troféu de uma sangrenta batalha. Muitos inimigos perderam suas vidas para nossas espadas, o que adocica ainda mais o aroma cítrico de notas amadeiradas dessa reserva.

Observa pela janela, onde vê funcionários do Forvm da Repvblica entrando e saindo apressados.

"Esses são os homens que eu jurei servir e proteger. Por eles eu derrubei o Imperador e instaurei a Repvblica Guǎn tā Kahore." - Pensou ele, lembrando da luta armada que durou quase uma década e ceifou milhares de vidas. Se seu pai estivesse vivo, diria sua palavra predileta: "Medíocre". Este fora um grande fazendeiro, em uma época dourada do Império. Ficou muito rico exportando grãos para povos do norte. Mais rico ainda quando expandiu a Marinha Mercante, sendo condecorado diversas vezes pelo Imperador por serviços prestados ao nosso povo. Era conhecido como Hǎijūn shàng jiàng¹ Sadrhack. A última vez em que viu seu filho, foi segundos antes de ser decapitado pelo levante revolucionário liderado por sua prole.

Os homens saem levando o cravo, que agora vai repousar no Mvsevm de Belas Artes de Pyeong-Guará, do outro lado da cidade. É um instrumento caríssimo, vindo de terras distantes, para enaltecer nossa nação. Poucos pessoas puderam tocar nele, só o maestro local que o afinou e o próprio líder.

Um funcionário jovem entra correndo no gabinete, suando e com o rosto vermelho. Outro entra pausada e respeitosamente logo atrás.

 - Widaehan Jidoja² Sadrhack! Widaehan Jidoja Sadrhack! - Parou ele ofegante.

 O outro pensou: "merda".

O primeiro funcionário recebe um golpe de espada  no ombro direito e cai de joelhos. Sadrhack limpa a lâmina em seu traje militar de linho e se dirije ao segundo:

 -  O quê é tão importante?
 - Widaehan Jidoja Sadrhack, perdoe meu aprendiz. Ele é burro - explicou de cabeça baixa, observando o rapaz - não sabe respeitar os outros. Talvez os experimentos o tenham deixado...
 - FALE DE UMA VEZ!! - Vociferou o líder.
 - Bem... O Honorável Segundo Sacerdote de Shirai-Gwon foi assassinado. O governo local pede desculpas pelo inconveniente e diz estar tomando providências quanto ao ocorrido.
 - Ora ora... Isso pode ser inconveniente, mas pode ser interessante. Bem, na verdade, desde que isso não traga problemas meu gabinete, não me interessa. Agora saia daqui, por favor. - Diz ele, distraído ao polir sua espada.

 O líder olha pro rapaz de joelhos. Ele, por sua vez, devolve o olhar com olhos marejados.

  - Levante-se rapaz, ou vai ficar de joelhos o dia inteiro?
 - Desculpa, Widaehan Jidoja.
 - Muito bem. Vá cuidar de seu ferimento e aprenda as artes sociais com mais afinco. Se fosse um de meus generais em meu lugar, seu sangue estaria jorrando pelo chão agora.

Jorrando. Não apenas gotejando como agora.

 - Sim, Widaehan Jidoja. E retirou-se.

--//--

 Finalmente chegou até o esquadrão, suando muito.

 - Cathos! Relatório! - Exclamou o capitão, franzindo a testa.
 - Três Insanos de pequeno porte, senhor. Duas lanes a frente.
 - Três?Agora sim, estamos mortos!
 - Sierra, isso não é hora pra otimismo, vá aprontar os cavalos. König! Desfaça o acampamento.

Sierra anda até os cavalos e começa a celar cada um, enquanto comenta com König, que apagava a fogueira:
 - Quando você se inscreveu pra servir, imaginava que iria acabar percorrendo ruínas e fugindo de monstros?
 - Quem imaginaria que uma merda dessas existia?
 Os dois riram.
 - Chegamos muito longe, Sierra. A gente já devia estar voltando pra casa, não se metendo mais no meio do mato. – O arqueiro coçou a barba rala no queixo.
 - Isso é verdade, parceiro. Mas vamo lá, nenhum de nós tem nada melhor pra fazer mesmo!
 Sierra sorriu amarelo.
 - Não que eu esteja com saudades de casa – continuou o arqueiro – Mas sabe como é... Não quero morrer aqui.
 - É... Tô contigo nessa. Essas missões sempre acabam com alguém sendo entregue num saco de pano pra família.


1. Hǎijūn shàng jiàng - "Almirante".
2. Widaehan Jidoja - "Grande Líder".