Uma "lola" Passa por trás dos dois e coloca mais um prato, na frente do Conselheiro. Outra serviu o Líder.
- Sim, Ja-Han deixou uma nota na minha mesa.
- Não não, obrigado, vou almoçar em casa - Diz o Conselheiro para a moça, que retira o prato e faz uma reverência dobrando os joelhos em um pé só.
O vinho é servido.
- O Supremo Sacerdote Kai vai apresentar na Avla Magna desta noite os resultados públicos da expedição. Na próxima semana receberemos o relatório completo da missão.
- Excelente - Diz o Líder mastigando uma garfada de kunati de ervilhas e nozes - espero que tenham logrado êxito sobre os povos do leste dessa vez, essas expedições são muito caras.
- Soube que foi uma expedição muito proveitosa, mesmo as terras sendo ainda muito hostis. Bem, como é de praxe, o senhor vai comparecer nessa Avla, certo?
- Hmmm... Odeio esse blablablá sobre ciência, mas vou sim. Pode ser que haja algo importante que vão dizer ao público.
- Entendo, senhor.
- Nosso povo perde tempo demais com crendices tolas, e se esquecem do valor do trabalho! - Disse arrancando uma coxa do frango a sua frente.
- Sim, senhor. Até mais tarde.
O Conselheiro se levanta, coloca a cadeira no lugar e sai.
Na parede ao fundo da sala, cobrindo um buraco na decoração de cedro, foi pendurado um alvo de madeira. Ainda não conhecia sua protetora pessoal e nem se interessava por isso, desde que ela fizesse seu trabalho corretamente. É próprio do ser humano não se interessar por "como as coisas funcionam", desde que funcionem.
Toc... toc... toc... toc...
- Ja-Han! Não precisava vir hoje. - Afastou o prato, alcançou um palito e recostou na cadeira.
- Boa tarde, Jidoja. Fui avisada que o senhor estava aqui. Achei que poderia precisar de mim.
A secretária estava sempre maquiada, as vezes até demais. Se vestia muito bem também, sua elegância contrastava com a realidade miserável do país.
- Perdeu seu tempo - bebeu o último gole que havia no copo - já acabei o que tinha que fazer. Ah! Eu ia mandar te avisar, vou ao Templo esta noite.
- Estarei lá cinco minutos antes do senhor, Jidoja.
- Excelente. Já comeu? - Perguntou o Líder, fazendo sinal para uma das copeiras.
- Já sim, senhor. - A mulher de pele morena sorriu e baixou um pouco a cabeça.
- Então, me acompanhe em um copo de vinho - e virou-se - Lola! Mais vinho!
A secretária e assistente pessoal corou e não respondeu. Não era de beber, mas não é sempre que o Líder resolve ser tão informal assim. Ja-Han Iaamar Al-Qar tinha cabelos negros e compridos, sempre presos ou em tranças. Suas feições do mediterrâneo, que sempre tinham uma aura severa, agora estavam iluminadas, embora esteja um pouco constrangida. Tinha baixa estatura, característica deixada pela pobreza da infância, mas que lhe rendia um charme peculiar.
A copeira serviu a ele primeiro, enquanto outra trazia um cálice para ela.
Beberam em silêncio, interrompido por uma ou outra trivialidade.
Despediram-se cordialmente, como Sadrhack gostava. Nunca beijava as mãos das mulheres como era costume na época do império. E, graças a ele, agora todos apertam as mãos das mulheres como se fossem homens.
A secretária foi embora pisando em nuvens. Repassava aqueles momentos continuamente, tentando lembrar cada detalhe. Vez ou outra, tentava se puxar de volta à realidade, dizendo pra si mesma "foi só um vinho, só um vinho! Ele só queria compania...".
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Sierra cravou a montante no chão e começou preparar um pequeno artefato. As cobras passaram pelo labirinto de caixas enormes e começam a chegar na porta. Para um homem baixo e troncudo, era bem ágil. Acendeu o artefato, jogou para dentro enquanto pegava sua montante e pôs-se a correr para os cavalos. Quando montou o galpão explodiu, levantando uma nuvem de poeira e folhas por entre a floresta. Tudo agora cheirava a enxofre, poeira e bicho queimado.
Os quatro tossiam muito. Os cavalos assustados foram contidos por seus respectivos cavaleiros até se acalmarem.
- Vamos andando, não podemos perder mais tempo aqui. Precisamos encontrar as minas.
- Capitão, pela instrução dada pra missão, já era pra termos encontrado. Alguna cosa está errada.
- Ora, mas como você é observador! Eu sei que está, erramos o caminho em algum ponto. Devíamos ter ido mais ao norte.
- E aquilo que eu vi perto do mar? – Indagou Cathos de cima de uma árvore.
- Não sei, mas já que chegamos aqui não podemos voltar de mãos abanando. Estamos em território hostil, numa missão fracassada e cara. Precisamos de resultados ou vamos todos dividir uma cela confortável com uma bola de ferro nos tornozelos.
König coçou o nariz.
- É... Vamos fazer reconhecimento, recolher algumas amostras e cacarecos e ir embora.
- Tá, - tossiu Cathos – mas agora vamos sair dessa poeira porque já tô ficando zonzo.
E começaram a andar novamente em formação.
O que não durou muito.
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O Templo Moon estava decorado para uma grande festa. Grandes faixas verdes e amarelas pendiam do teto no salão principal.
Como era de costume, vinte e um jovens enfileirados na entrada recebiam o público com vasilhas contendo água perfumada para as mãos, com toalhas brancas em seus ombros. Todos de vestes pardas.